NEM ÀS ESCURAS!

Aonde irei comigo? Onde me esconderei,
que já ninguém me veja e eu não veja ninguém?
A luz do dia assombra-me, pasma-me a das estrelas
e os olhares dos homens na alma me penetram
E é que o que dentro levo de mim, penso que ao rosto
me sai, qual sai do mar ao fim um corpo morto
Tomara que saísse!... Mas não, dentro te levo,
fantasma pavoroso dos meus remordimentos.




Rosalia de Castro