é Verão dentro dos teus braços.
«Se já não sei tudo o que vivi / É que os teus olhos não me viram sempre»
A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
é uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.
Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.
Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.
Paul Éluard
via blogue poesia
espero-te.
'Moderato Cantabile',
Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau
ter a vida suspensa à espera do momento.
tarda.
os dias que se desenrolam com lentidão na iminência de,
e as manhãs pesadas.
ergo a taça de vinho e digo a mim mesmo que será a última, sei que me minto, mas a ilusão ajuda-me a aguentar outra noite só.
Outra coisa
Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casa
dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras
lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos anjinho nacional
e nove de colégio terceiro acto
pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato
Mário Cesariny
Poesia 71,
Editorial Inova Limitada
