Just to see what if
Just to see what is
Radiohead
The King of Limbs,
2011
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Just to see what if
Just to see what is
Radiohead
The King of Limbs,
2011
Tanto me levas contigo que quase não me basto
Comigo.
Como Sá de Miranda
Penso: sou um rural das máquinas,
Sem aves, sem as suas mudanças no estio
Das suas quedas calmas.
O meu roteiro cresce a gasolina, a poeira, a mofo
E a palavras caídas em desgraça.
Ou em desavença.
Na perseverança civil, na guerra da moral,
Carregas-me a cabeça com o corpo atolado em visões urbanas,
Transportas os sentimentos que me restam
E não sabes sequer onde me levas
O terceiro idoso coração.
Quando se fica assim, bêbado de velho,
O amor não tem locomoção possível, não ata nem desata,
Não pega.
E a alma fica grata, gata de colo, e atravessa o caminho,
Ganha ares de filósofa,
Ornamenta as frases, consegue mesmo alcançar um orgasmo
Místico,
E duvida se deus pode escrever-se
Ainda em caixa alta
Armando Silva Carvalho
O Amante Japonês,
Assírio & Alvim
Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.
Eugénio de Andrade
Sines, 1928
Sines em Imagens
Contente de me dar como as gaivotas
bebo o outono e a tarde arrefecida.
Perfeito o céu, perfeito o mar, e este amor
por mais que digam é perfeito como a vida.
Tenho tristezas como toda a gente.
E como toda a gente quero alegria.
Mas hoje sou dum céu que tem gaivotas,
leve o diabo essa morte dia a dia.
Eugénio de Andrade