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Desperdício Zero na Cozinha #2 - Truques e Dicas
 

   Lembram-se deste post? A nossa Inês está de volta e trouxe com ela uma caixinha cheia de truques e dicas para não desperdiçarmos nadinha nas nossas cozinhas. Acho que vão adorar! Nós acabámos de juntar um restinho de cajus moles num pesto cheiroso para o almoço 🌿 Inspirem-se!


Olá outra vez, tiveram saudades? 😜 

Espero que tenham gostado do meu princípio base para evitar o desperdício alimentar, neste post entraremos num campo mais prático. Não vou falar de compras a granel, ou de fazer compras de frutas e legumes em mercados, ou tantas outras coisas que quem se mexe neste meio sabe bem melhor do que eu – e é com eles que aprendi e aprendo tanta coisa (podem ver algumas sugestões da Inês, aqui mesmo, no blogue, ou nas redes sociais da “Garagem” 😊).

O que vos trago são algumas das sugestões para evitar deitar comida fora – que é coisa que
me parte o coração. Mesmo antes de começar a preocupar-me mais activamente com estes tópicos, já procurava aproveitar ou reaproveitar restos, levava comida para casa quando sobrava nos restaurantes e transformava legumes e fruta farruscos em batidos e sopas.

Partindo precisamente deste ponto, aqui estão alguns dos meus truques e dicas para reduzir o desperdício alimentar em casa:

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1ª dica Legumes e frutas farruscas dão batidos e sopas nutritivas

Por vezes, a fruta e os legumes estão com um ar já muito maduro e a começar a ficar enrugadinhos ou até mesmo tocados nalguns sítios. Nada mais fácil do que lavá-los, cortar o que efectivamente já não está bom (eu evito que chegue a esse ponto), colocar tudo na liquidificadora e pumbas, têm um batido mega nutritivo. Actualmente comemos tudo com casca porque compramos principalmente fruta e legumes biológicos. Em vez de um batido (ou smoothie), e caso tenham maioritariamente legumes, podem também fazer uma sopa rápida, cortando os legumes bem miudinhos e cozendo uns minutos, ou até mesmo batê-los no liquidificador, se for uma sopa fria estilo gaspacho. Nestes casos, evito fazer sopa para vários dias ou para congelar, consumo sempre na hora, para evitar que se estrague.

2ª dica – Talos, ramas e cascas são comestíveis e saborosos

Malta, os talos, ramas e cascas da maioria dos legumes e frutas são comestíveis e, nalguns casos, o sítio onde se concentram o maior número de nutrientes. Eu adoro fazer chips de casca de abóbora e de outros legumes e os talos de beterraba assados são considerados uma iguaria lá por casa. Também podem fazer sumos e/ou chás de cascas de fruta. Por exemplo, este chá de casca de maçã e limão que fiz na casca da Inês, e que foi um sucesso, ou este sumo de ananás dos Açores, cuja polpa usei para fazer gelado.

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3ª dica – Água e sobras de legumes podem ser usados com caldas

Se falarmos de legumes cozinhados, aproveito quase sempre a água da cozedura para cozinhar arroz, quinoa, ou como calda para risotos , estufados, assados ou outros pratos que esteja a confeccionar. Caso não os consiga utilizar de imediato, congelo. E o mesmo se aplica a sobras de legumes crus (o que fica quando os arranjamos, e que tipicamente deitamos fora). Lavo-os bem, congelo, e utilizo mais tarde para fazer caldas de legumes.

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4ª dica - Restos e sobras viram pratos novos e interessantes

Bem sei que se torna cansativo andarmos a semana toda a comer o mesmo. Mas se lhe conseguirmos dar um twist diferente, podemos transformar os restos em toda uma nova refeição, muito mais interessante! É relativamente simples, por exemplo, transformar papas em bolos ou bolachas, juntando mais alguns ingredientes; aproveitar resíduos de leites vegetais para fazer bolachinhas deliciosas; usar sobras de carne, peixe ou legumes, para fazer deliciosas tortilhas (o mais comum), empadões, croquetes, almôndegas, soufflés, tantos outros! - mais exemplos aqui e aqui.

O céu é o limite 😋 também podem juntar vários bocadinhos de coisas que foram sobrando e salteá-los para lhes dar um novo sabor ou simplesmente transformá-los em bonitas Buddha Bowls.

Estas são algumas das minhas dicas que podem servir de ponto de partida, mas há todo um mundo de blogues e sites lá fora com muitas outras dicas maravilhosas que podem usar. Quando estou sem ideias, faço uma pesquisa rápida no Pinterest ou no Google, ou dou uma olhadela ao meu feed do Instagram e logo surge uma ideia de como tornar aquele bocadinho de comida numa refeição para 2, ou de como reaproveitar as raspas, cascas e sobras que tipicamente iriam parar ao lixo.


Só precisamos de um bocadinho de imaginação, amor, e alguma dedicação.
Boas receitas, sem desperdício 😊

Inês,
Receitas Tolerantes

 
A âmbar.
 

     O mês de Março passou a correr, Abril escapou-se-nos pelos dedos como areia e Maio já se vê por um canudo. Atravessámos Junho com muito sol, afinal, o Verão acaba de chegar - e este cantinho à beira mar plantado poupou-nos da chuva até aos últimos dias -, mas é da Primavera que nós mais gostamos, a nossa rua encheu-se de flores, os vizinhos colocaram vasos nas janelas e apesar da timidez da nossa buganvília, as petúnias e a lavanda já dão cor à nossa porta. 

     Com a Primavera, chegaram também os piqueniques entre amigos, os dias mais longos e a minha Feira favorita do ano. Tenho esta coisa com feiras, gosto do ambiente - tanto do lado de cá como do lado de lá da banca - e gosto de poder falar com os sorrisos por detrás das marcas que tanto nos inspiram. Podia falar-vos de várias que tenho conhecido assim, como a Lili, da Saponina, que abracei - finalmente - o ano que passou, e tantas outras - que tive o prazer de abraçar no evento que organizei, faz quase um ano, com a minha Ana -, como a Sapato Verde (eu sei, parece suspeito, mas gosto mesmo deles), a minha Lêveda (que tem o melhor pão caseiro e biológico do Alentejo) e a minha querida Zélia, que passo meio ano a querer abraçar e outro meio a tentar segurar-me para não lhe comprar tudo e mais alguma coisa. Acho que percebem a ideia. As feiras põem-nos em contacto com quem está do outro lado, isto é cada vez mais importante nos dias que correm e faz toda a diferença. Para nós e para eles, acreditem.

     Este ano, na Feira da Primavera, não só provei o folar de batata doce da Lêveda, como conheci a âmbar 😊🌿💛

     A âmbar é uma marca de biocosméticos artesanais e veganos que nasceu de uma amizade antiga entre a Telma e a Vanessa. Uma é designer, a outra licenciada em farmácia, mas ambas tinham imensa vontade de criar, de proporcionar às pessoas coisas de que precisassem de facto e que lhes fizesse bem. Movem-se pelo amor e respeito à natureza, à ciência, às coisas simples e verdadeiras. Só trabalham com matérias primas de origem natural, de elevada qualidade, com as quais criam de forma artesanal - respeitando sempre as boas práticas de fabrico -, produtos cosméticos que têm como princípio o respeito pelo nosso corpo. Lançam novos produtos apenas em resposta a necessidades genuínas expressas pelos seus clientes e, somente depois de muita pesquisa, oferecem formulações em que acreditam e que sejam de grande qualidade - daí ser tão importante este encontro em feiras, este contacto de quem consome com quem produz e vende, como vos falei acima.

     Não resisti e trouxe comigo um creme de mãos - que é divinal -, um creme de pentear super cheiroso - e que só ele me ajuda a desembaraçar este cabelo de personalidade forte -, um sabonete riquíssimo que ainda não experimentei mas estou desejosa, um óleo de rosto de rosa mosqueta com o qual já não sei viver… e lançaram há poucos dias um champô sólido com o qual já ando a sonhar!

     As embalagens são pensadas e desenhadas pela Telma e o design clean e minimalista foi o que me chamou a atenção e me fez parar junto delas. Têm embalagens em vidro âmbar, escovas de dentes de bambu, sabonetes nus e as únicas bisnagas que usam são em alumínio, estão na luta contra o plástico e foi, também, por isso que não resisti e vos tive de vir contar sobre elas. 

     Deixo-vos o link para as irem namorar. Vá, vão lá!

 
Desperdício Zero na Cozinha #1 - Princípio Base
 

     A minha maior dificuldade nesta caminhada contra o desperdício tem sido a cozinha, tentamos comprar tudo a granel - o que conseguimos, tendo em conta a nossa localização - e conseguimos reduzir significativamente o uso de plásticos cá em casa, mas acabo sempre por comprar comida de mais e por deixar estragar um legume ou outro, por não saber o que lhe fazer ou como usar. Felizmente temos uma Inês na nossa vida que, não só faz takeovers à nossa cozinha - adoramos!!!! - como a sua preocupação para com as bananas farrusquinhas deste mundo é coisa para nos enternecer a todos. Que se salvem os farruscos, as frutas feias e os renegados desses mercados, a Inês ajuda 💛🌿

~*~

Buddha Bowl, Receitas Tolerantes

Buddha Bowl, Receitas Tolerantes

     Olá a todos

     O meu nome é Inês e sou dona de um cantinho chamado Receitas Tolerantes onde partilho as minhas receitas.     
     Gosto de cozinhar coisas simples, saudáveis e que me façam feliz, gosto pouco de desperdiçar comida e, quem me conhece, sabe que sou a primeira pessoa a pedir - ou a levar - uma caixinha para levar comida para casa quando janto fora. Também adoro aproveitar todos os restinhos que tenho no frigorífico - frescos ou cozinhados - transformando-os em pratos novos  ou em bonitas Buddha Bowls
     Hoje, a pedido da minha querida amiga Inês Espada, trago-vos este desafio: como reduzir o desperdício alimentar em casa.

     
Quem segue o meu blogue poderá ter reparado que muitos dos meus posts começam com "tinha lá em casa x e y para gastar, e lembrei-me de fazer...", este é - para mim - o princípio base da redução do desperdício: cozinhar em função do que tenho disponível na despensa ou no frigorífico e não em função duma receita específica. Claro que há excepções, se tivermos um jantar de amigos, ou um evento familiar, e queremos mesmo levar aquele prato ou sobremesa
especial, não tem mal nenhum mas, ainda assim, se conseguirmos fazer substituições para evitar desperdício, tentamos sempre fazê-lo.

      Partindo deste princípio base, vejo quais os ingredientes que temos disponíveis no frigorífico, ou na despensa, incluíndo fruta e legumes frescos - que são tipicamente o que tende a estragar-se mais depressa -, e crio um plano semanal em função disso. Fazer um plano semanal ajuda-me a comer de forma mais saudável, a controlar o desperdício e a organizar melhor as refeições durante a semana. As 2 ou 3 horas que demoro a preparar tudo ao Domingo, poupam-me muito trabalho durante a semana. Caso não queiram, ou não consigam ir tão a fundo, podem começar por planear apenas a refeição seguinte com base neste princípio.

Restos reinventados: 1/2 batata doce com uma sobra de húmus, dip de beringela e tofu crocante acompanhada de uma saladinha de verdes.

Restos reinventados: 1/2 batata doce com uma sobra de húmus, dip de beringela e tofu crocante acompanhada de uma saladinha de verdes.

     Depois de pensar numa possível receita (ou receitas) que possa fazer com os ingredientes que tenho, penso em possíveis substituições. Por exemplo, se a receita pede couve flor, se calhar posso substituir pela courgette farrusca que está a precisar de ser gasta 😜 e por aí fora. Por fim, faço uma lista de compras com o que falta, para garantir que compro apenas o que preciso. Muito importante: não ir às compras com fome - especialmente no meu caso, que sou uma esfomeada 😂 - caso contrário, a lista vai crescer rapidamente!

     De qualquer forma, há sempre umas coisinhas que acabam por saltar para o carrinho e que, caso não consiga gastar durante a semana, vão acabar por servir de base ao plano da semana seguinte.
     Para além desta “regra de ouro”, há mais algumas coisas que podemos fazer para minimizar o desperdício alimentar. Daqui por duas semanas trago-vos mais alguns dos meus truques.

     Até já,


     Inês,
Receitas Tolerantes