«Magia.»

- Gostamos das mesmas coisas, temos um bom relacionamento sexual... Que mais queres?
«Magia.»
Pat disse com um sorriso nos lábios:
- Quero que fumes haxixe, que roubes livros, que me amarres os pulsos quando fizermos amor.
Ele recuou um pouco.
- A terceira ideia não é má.
- Falo a sério.
- Estás louca.
Ela riu alto.

Ana Teresa Pereira
Num Lugar Solitário,
Relógio d'Água 

a doença da morte.


De toda esta história retém apenas algumas palavras que ela pronunciou enquanto dormia, as palavras que dizem o mal de que sofre: Doença da morte.
Mas depressa desiste, depressa deixa de a procurar, na cidade, durante a noite ou durante o dia.
Pôde no entanto viver assim esse amor da única maneira que para si é concebível, perdendo-o antes mesmo de ele se tornar realidade.


Marguerite Duras  

Eu só quero alguém entre mim e o escuro. Entre mim e a noite.


- Quer dizer que o amor é a procura de uma imagem.
 - Não sei - disse Tom - o que amamos quando amamos alguém.
Levantou-se, encostou-se à porta da varanda, ficou a olhar para fora. Parecia muito magra, quase frágil, no vestido cinzento.
Tom aproximou-se, tocou-lhe ao de leve no ombro nu, sem que ela reagisse.
Ele murmurou:
 - Eu só quero alguém entre mim e o escuro. Entre mim e a noite.


Ana Teresa Pereira* 
Num Lugar Solitário,
Relógio d'Água
2012

(reedição)  


Entre mim e a tempestade lá fora...