Sobre mim

 

     olá!

 

     O meu nome é Inês. Importa saber que vivo de coração escancarado e que troquei a cidade pelo litoral alentejano. Aqui, somos 2+2. Eu, o André e dois gatinhos. Moramos numa casinha alentejana, de barras amarelas, que restaurámos com amor e muitas peças compradas e herdadas em segunda mão. Tentamos viver uma vida simples, lenta, com menos desperdício, aproveitando e reaproveitando o que temos ao nosso alcance, fazendo o melhor que conseguimos para o bem do nosso planeta.

     Ainda não somos minimalistas, mas sabemos que o caminho para uma vida lixo zero passa por lá. Procuramos viver alinhados com aquilo em que acreditamos, tentando fazer escolhas conscientes para a nossa vida. Sabemos que o futuro do nosso planeta está nas mãos de cada um de nós e em cada escolha que fazemos diariamente. O caminho é em direcção ao zero desperdício, acompanham-nos nesta viagem?

 

 

     Como surgiu a garagem?

 

     Uma garagem é o lugar onde, para além do carro, se guarda tudo e mais alguma coisa. É o espaço que nos guarda as memórias e os monos, é a essência da casa porque é lá que está a história de quem a habita. É uma miscelânea, um paraíso ecléctico, uma verdadeira salada russa. Como a vida, a garagem é mutável, desenrola-se pelos dias nas tendências de quem nela respira. 

     "O meu percurso desperdício zero começou com uma declaração de guerra aberta às garrafas de água. Eram imensas, todos os dias, espalhadas pela casa. Estavam a formar exército e eu tive de responder. Foi aí que comecei a ter noção da quantidade de plástico que habitava os nossos dias: plástico nas águas, nos legumes, na fruta, sacos, sacos, sacos. Meti-me numa guerra às escuras e, quando se acendeu a luz, tive medo. As garrafas eram apenas um batalhão, a Infantaria com quem tinha de combater diariamente. Escondidas, na linha de trás, as palhinhas que insistentemente apareciam nas bebidas de rua. E, quando achamos que as mudanças que implementámos podiam mudar o mundo, percebemos que o maior perigo é já mais forte do que poderíamos imaginar: micro plásticos nos oceanos, micro plásticos ingeridos por animais que os confundem com plâncton, micro plásticos que contaminam já o nosso sistema de redes de água."*

     É difícil acreditar que a mudança seja possível, quando somos apenas dois, mas, felizmente, o exército tem vindo a crescer, é dele exemplo o grupo Lixo Zero Portugal do qual orgulhosamente faço parte, liderado pela minha amiga e companheira de luta Ana Milhazes Martins (Ana, Go Slowly). 

     Juntos, ainda é possível mudar o mundo. Comecemos por tomar consciência, do nosso lixo, das nossas escolhas diárias. Implementemos os 5R's da Bea Johnson - Recusar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Rot (compostar). Olhemos para as nossas garagens e, em vez de se jogar fora o que já não se usa: vender, doar, dar-lhe um outro propósito. Defenda-se uma economia de partilhas! Defenda-se uma economia circular! Evitemos o lixo desde o design dos produtos ao seu final de vida. Que se revolucionem as limpezas de Primavera, é tempo de se abrir as garagens

a missão?

     A minha missão com a Garagem é clara: inspirar quem me lê a cuidar melhor do nosso planeta, a fazer escolhas mais conscientes percebendo o impacto que cada uma delas tem no meio ambiente. JUNTOS podemos fazer a diferença. 

 

 

 



*este excerto aparece primeiro num artigo que escrevi para a plataforma colaborativa Slower, da querida Filipa.